quinta-feira, 29 de abril de 2010

O escorregar para o precipício


A tormenta era muita
Meus passos um continuo escorregar
Para o precipício
A luta era muita
A dor era muita
O cansaço era muito
Com medo e por vezes pânico
Todos eram ingredientes apertosos
De minha descida
Ninguém para ajudar
De repente tudo a acontecer
E só podia contar comigo
A paisagem em volta me era desfocada e escurecida
Meu corpo vacilava
E num dia de cansaço e tormenta
Meu coração agoniou
E nada pretendia fazer
Para impedir o real precipício
Todas as forças estavam para me levar à queda
E estava rendida a não contrariar
Pelo contrario
Queria que aquela dor me abatesse de vez
E que tudo sumisse
A nada pretendia me agarrar
Porque a tudo o que me agarrava quebrava
Mas essa dor acabou passando
E zonza denovo me movimentei
Esforços mais fui fazendo
Nada parecia fazer sentido
Mas mesmo assim continuei
A queda não podia ser meu caminho
Aos “poucos” que iam fazendo sentido
Me fui agarrando
E foi aí que cheguei a algo mais forte
Onde realmente pude finalmente descansar
Quando acordei desse ansiado sono
Revitalizada olhei em volta
E pude ver melhor
Duma maneira mais bonita
Tudo me era agora mais encantador que antes
Com meus pensamentos mais claros e mais nítidos
                                        Adélia Abreu

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